Drª. Maíra Diniz: A felicidade não é utopia [Entrevista]

Maíra Canijo Freire Diniz, crescida em Chaves, licenciou-se em Psicologia no Instituto Superior da Maia em 2004. Somou formações imprescindíveis desde a vida académica até hoje, salientando-se a pós graduação em Neuropsicologia Clínica e, atualmente, formação em Coaching. A sua experiência profissional abarca crianças em meio escolar,  nomeadamente grupos de risco, e psicoterapia. Com os adultos em consultas de psicoterapia, relaxação e, riso, muito riso como meio de terapia e relaxamento total para o equilíbrio e bem-estar de todo o ser humano – objetivo principal de vida! Com o Saber & Sorrir iniciou um sonho, em forma de projeto de vida que, como todas as crianças, aprende a caminhar devagar, devagarinho, com apoio, segurança, coragem e muita garra e força de vencer.

1- Como licenciada em Psicologia, com vasta experiência em lidar com crianças, como descreve as  crianças do século XXI?

São crianças, simplesmente crianças. Os recursos que o desenvolvimento tecnológico proporciona é que são outros e exigem aos pais e educadores uma rápida adaptação à mudança e abertura à inovação.  Claro que isto não é fácil. Fácil é dar à criança um jogo e não partilhar o momento porque “não sabemos, nem temos idade para isso”, fácil é ensinar a criança a ligar a televisão e não ver o que ela vê e sentir o que ela sente quando vê os programas, fácil é dizer que a criança é hiperactiva e justificar todos os seus atos com isso, fácil é dizer que a criança tem dificuldades de aprendizagem e não ajudá-la a definir metas e a empenhar-se para alcançar objetivos… e por aí. Difícil é dizer às nossas crianças que os amamos, independentemente dos comportamentos delas, difícil é demonstrar esse amor. Se temos que castigar que se castigue e/ou chame a atenção com amor, com compaixão, certos de que fazemos o melhor para a criança e que ela perceba isso. Muitas vezes esquecemos que são crianças e dizemos as maiores barbaridades sem pensar, achando que compreendem as nossas indiretas… mas nem sempre é assim. Se formos capazes de sair do nosso pedestal de autoridade e pormo-nos no lugar delas vamos perceber que são apenas crianças. Como qualquer um de nós. Recordo-me que um dia fiz parte de uma geração chamada rasca, mas na realidade éramos apenas crianças…

2- De que forma considerou importante conciliar a sua formação de base com o Riso, quer numa vertente yoga, quer numa vertente terapia?

Bem, vamos continuar com as crianças… Quando as crianças riem é sinal que estão felizes. Pelo nosso percurso de vida essa felicidade vai ficando escondida e esquecemo-nos de como é bom dar umas gargalhadas inocentes e revelar aos outros que somos felizes. Na realidade, todos procuramos essa felicidade perdida, um bem-estar que ficou para trás. Então, o riso é a expressão máxima desse mesmo bem-estar. O rir ajuda-nos a despir os nossos preconceitos, a tirar a “máscara” que vestimos todos os dias socialmente para estarmos inseridos em pequenos grupos (trabalho, escola, religião, amigos, etc.) e permite sermos nós próprios, livres de tudo, sem medos nem vergonha.

O que procuramos com os serviços de psicologia? Atingir um equilíbrio e bem-estar cognitivo e emocional… E o riso é uma forma de o conseguir. A Terapia do Riso funciona como um grupo de apoio e, através de dinâmicas de grupo que levam ao riso, vão se trabalhando as problemáticas das pessoas presentes. Quando sistematizado este trabalho vai a níveis mais profundos originando melhorias internas grandiosas e o crescimento pessoal dos indivíduos.

A Yoga do Riso é também algo extraordinário, no entanto, nem toda a gente se sente à vontade com o riso simulado, o que pode gerar algum mau-estar. Mas quando as pessoas se conseguem libertar, a explosão do riso natural é fantástica e o bem-estar geral também é sentido e quantas mais pessoas melhor.

De uma forma ou de outra, o riso complementa a área da Psicologia, enriquecendo-a.

3- Quais as características fundamentais que um Psicólogo deve ter no exercício das suas funções?

Costumo dizer que a Psicologia é bom senso… Claro que vai muito além disso, mas esta é uma das principais característica de qualquer Psicólogo. E o que é bom senso? Bom senso é pormo-nos no lugar do outro, é perceber que nem tudo o que é bom para nós é bom para o paciente. Bom senso é ser-se flexível e entender que cada ser humano dá o melhor que pode para a sua melhoria. Bom senso é silêncio, é um abraço e um sorriso. O bom senso aliado a uma boa formação académica, vontade de aprender sempre mais, uma postura empática e muita humildade fará grandes psicólogos… Mais, grandes Seres Humanos!

4- Na sua experiência pessoal e profissional o que falta ao Homem para ser feliz?

Fé! Fé em si mesmo, nas suas potencialidades e capacidades. Tudo está dentro nós, basta acreditar. É preciso voltar a ver os desenhos animados e aprender com eles. Aprender o que queremos ser, aprender o que devemos querer e, sobretudo, aprender a agir. Reaprender a sorrir e voltar a ser crianças.

Se acreditarmos que podemos ser melhores e agirmos no sentido do nosso desenvolvimento pessoal essa Fé em nós passa a ser Fé no Mundo e tudo será mais bonito e muito menos doloroso. A vida sorrirá, o Universo conspirará a nosso favor e a felicidade vai desabrochar dentro dos nossos corações.

Sim, os problemas irão surgir, mas serão desafios a serão ultrapassados e não suportados com o nosso suor, porque a nossa atenção está focada no nosso bem-estar e equilíbrio.

Há tantas coisas que poderiam ser ditas… Mas, bem, ficam duas sugestões: focar o positivo e acreditar, a partir daí tudo é possível!